Sob os pés a terra quente,
que nossos calos não derrete.
Sobre a cabeça eis o sol,
que ao inferno remete;
Onde a vida nasce torta,
a terra amarga na língua,
a sede lhe mata o corpo
e a esperança tão sedo míngua;
Onde o céu límpido é seco,
e o dia é sempre azul,
abaixo de um sol infernal
e ao som fúnebre do urubu;
Onde há gargantas a implorar
por intervenção divina que não há.
Será ira injusta dos céus
sobre os que a sede manda matar?
Canta a morte pelos vales,
tão secos e amargos,
para os que nunca abrirão
aqueles belos sorrisos largos.
Por Tainara Macêdo - Obra protegida (NÃO AO PLÁGIO).
Imagem: Os retirantes - Portinari.




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